Emoção, volta de Sampaio e união: as lembranças do diretor do Palmeiras campeão em 1999
Paulo Angioni era o homem forte da Parmalat naquela inédita conquista de Libertadores: TV Aberta reprisa final contra o Deportivo Cali, neste domingo.
31.5.2020 - 14:15
A parceria histórica da Parmalat com o Palmeiras vivia seus últimos momentos quando o maior objetivo foi alcançado. Com passagens por grandes clubes do Brasil, Paulo Angioni, hoje no Fluminense, era o homem forte da direção na campanha que deu ao Verdão o título da Libertadores de 1999.
De 1992 a 1999, o casamento com a multinacional rendeu aos palmeirenses títulos importantes e momentos históricos, como o fim da fila em 1993, o bicampeonato brasileiro em 1993 e 1994, o time dos 100 gols no Paulistão de 1996... Faltava porém, o título sul-americano, confirmado com emoção até o fim na final contra o Deportivo Cali.
A Globo retransmite a final contra o Deportivo Cali neste domingo, a partir das 15h45 (de Brasília), para os estados de SP, MT, MS, SE, SC e PA. O GloboEsporte.com também mostra a partida, com sinal liberado para todo o Brasil.
– A gente tinha mais merecimento para ganhar do que não merecimento. O último jogo foi absurdamente sofrido. Mas ali provou que o merecimento está acima de qualquer coisa. Com merecimento você supera alguns sofrimentos. Ali consegui enxergar que vale a pena fazer o bem e ser digno porque mesmo com muita dificuldade você vence – recordou o diretor.
No antigo Palestra Italia, dirigentes e até jornalistas assistiam aos jogos do quarto andar do estádio. Como o local era integrado ao clube social, o trajeto era longo até os vestiários. Isso também colaborou para que Paulo Angioni não visse os momentos finais do jogo.
– Eu não vi o pênalti, só vi depois em vídeo. O desespero era tanto que eu desci. Fui para o vestiário. Até porque depois eu não ia conseguir passar, ganhando ou perdendo. A gente assistia em um camarote destinado para a Parmalat. Na hora dos pênaltis eu estava indo para o vestiário – recordou.
A história contada ao longo dos anos eternizou Felipão, Marcos, Arce, Alex, Paulo, Nunes, Oséas e tantos outros craques por causa daquele título. O diretor daquele projeto admite que a ausência de seu nome nas recordações já o incomodou.
– Eu tinha um pouco de tristeza por não ser lembrado. Algumas festas foram realizadas e nem convite recebi. Não tenho mágoa, não sou de ter rancor. Não mereço honras, mas pelo menos uma lembrança.
As recordações o levam para um momento inicial de crise no Palmeiras pela ausência de resultados e também na relação com a torcida e a imprensa.
– Foi um desafio muito grande para mim. Cheguei em um momento de crise. Além de os resultados não estarem vindo, tinha um processo de relação antagônica na relação imprensa e Felipão. Minha principal tarefa naquele momento era encontrar um equilíbrio, principalmente internamente. Em um segundo momento também com o externo, com a imprensa, com a paixão do torcedor e os resultados começarem a vir. Depois a gente foi campeão da Copa do Brasil e as coisas começaram a caminhar – lembrou o dirigente, que elogiou a relação com Felipão.
– Cheguei em um momento muito adverso, e quando há uma adversidade as pessoas entram em um processo mais tranquilo para ouvir e discutir. A minha relação com ele (Felipão) foi boa, muito agradável. Não só com ele como a direção do Palmeiras. O diretor era o Sebastião Lapola, mas tratava as coisas mais direto com o Mustafá (Contursi, então presidente). Tinha alguns atritos eventualmente de conceitos, mas nada pessoal. A minha relação é excepcional, respeito muito – completou o dirigente, que disse até hoje reverenciar Gianni Grisendi, presidente da Parmalat na época.
– Cheguei em um momento muito adverso, e quando há uma adversidade as pessoas entram em um processo mais tranquilo para ouvir e discutir. A minha relação com ele (Felipão) foi boa, muito agradável. Não só com ele como a direção do Palmeiras. O diretor era o Sebastião Lapola, mas tratava as coisas mais direto com o Mustafá (Contursi, então presidente). Tinha alguns atritos eventualmente de conceitos, mas nada pessoal. A minha relação é excepcional, respeito muito – completou o dirigente, que disse até hoje reverenciar Gianni Grisendi, presidente da Parmalat na época.
O diretor lembra que o retorno de César Sampaio foi um dos momentos mais marcantes na preparação do time para a Libertadores. Em 1999, o volante deixou o Yokohama Flugels do Japão e acertou a volta para o Palmeiras.
– Tinha conhecimento que os investimentos seriam totalmente diferentes dos anos anteriores. Não ia ter muita margem de investimento no futebol. Tinha que trabalhar fora de uma realidade que havia antes – disse.
– O planejamento foi em cima do que tínhamos e algumas coisas pontuais. Lembro que o mais marcante (de contratação) foi o César Sampaio. Não tinha uma aceitação geral, tinha uma solicitação da comissão técnica, um entendimento do investidor, mas o conceito institucional o Palmeiras não tinha talvez uma aceitação tão 100%... Na prática ele chegou se readaptando, mas o Felipão acreditava muito e o manteve mesmo não jogando muito bem. Isso serviu de exemplo. Ele voltou a jogar o futebol fantástico, importante não só dentro do campo como fora do campo – completou o dirigente.
– O difícil foi encontrar um time ideal. A grande discussão naquele processo foi a conjugação das pessoas. Dependia muito do entendimento individual de cada um, do contexto da equipe. Tinham alguns zagueiros, e o Roque (Junior) foi se impondo e demonstrou o quanto era capaz. Um profissional de valor extraordinário, com seus conceitos e ideologias. Outro desafio foi colocar o Zinho e o Alex no mesmo time. Ali foi legal o Zinho se permitir fazer um papel diferente daquele que normalmente fazia, um processo de marcação mais intenso para dar liberdade para o genial Alex fazer o que fez.
– Alguns jogadores foram muito resilientes. O Evair teve uma participação muito legal. Foi um grupo que se superou muito. O Galeano, o Rogério, o Arce, o Junior... Era um belíssimo time, com um comportamento bem diferente e todos unidos em prol de um objetivo – completou.